O raciocínio e a conclusão aqui desenvolvidos têm como causas a observação da natureza, a compreensão de o que era a phýsis para os estóicos e o desenvolvimento econômico não sustentável.
Ao ler um artigo acadêmico comentando acerca da noção de phýsis para os estóicos*, nele se percebe a compreensão integrativa de natureza-homem, ambos estando em comunhão, e o homem sendo considerado um ser capaz de compreender os processos que se dão na natureza em seu fluxo, torna-os inteligíveis pelo exercício da razão (o que se dá o nome de logos), pela qual se poderia perceber a beleza e a complexidade do mundo, onde a harmonia organiza o caos em cosmo.
Quanto à segunda das causas que levaram a escrever este artigo, o desenvolvimento econômico não sustentável, em razão do tema ser extenso (não tendo como esgotá-lo), tratar-se-á dele estritamente com foco no interesse deste artigo. Tal desenvolvimento com foco exclusivamente em razões econômicas, muitas vezes põe o homem na contramão do processo de autosustentabilidade da natureza, fazendo, assim, que a harmonia dela seja desestruturada ao quebrar ou violar qualquer dos elos que ela constitui.
Evidente que as leis da economia atribuem maior valor ao bem proporcionalmente à medida da gradação de sua escassez, fundamento que torna mais rentável (e mais atrativa) a exploração potencialmente extintiva, ao invés de coibir semelhante prática.
Outro fator não menos importante, o qual se enfatiza para as considerações deste artigo, se deve ao avanço das cidades e por consequência o aumento com relação à demanda de alimentos. A produção de alimentos relegada aos cuidados exclusivos dos fornecedores industriais faz com que estes, na avidez de lucrar, não levem em consideração os impactos ambientais de seus atos cujo fim imediato é apenas aumentar a produção. Ao usar agrotóxicos, se despreza os danos colaterais que são causados - porém, tratarei apenas de um dos reflexos perniciosos, o mal causado às abelhas.
As abelhas, insetos tais como os outros que o agrotóxico combate, são também atacadas, indistintamente. Atualmente a população de abelhas no mundo tem sido reduzida a nível preocupante, o uso de agrotóxicos é um dos fatores associados a este desaparecimento (pesquisas dizem que causa danos a orientação desses insetos). Importante destacar o mal que resulta ao se aniquilar esta espécie, seria lastimável e nocivo, pois a função que ela desempenha na natureza (polinização), não há outra espécie que a desempenhe com tamanha funcionalidade (existem espécies que são polinizadas exclusivamente por abelhas).
A função das abelhas é essencial para alguns(as) frutos/flores e para outros(as), mesmo não lhes sendo essencial agrega-lhes benefícios. Um exemplo de frutos que só se desenvolvem com a polinização das abelhas é: maça, morango e maracuja. Com relação aos que se beneficiam com sua polinização, são alguns deles: caju, algodão, canola e soja.
A extinção das abelhas causaria também outros reflexos, tão malfazejos quanto os já expostos: a diminuição/extinção dos alimentos e o consequente aumento de custo, já que os produtores teriam que recorrer à polinização artificial. Ainda somando a isso que, com a redução/extinção de certos alimento, o impacto atingiria os animais que se alimentam dos frutos cuja produção depende da polinização.
Enfim, feitas as considerações expostas acima, a conclusão a que se chega é que o homem precisa repensar seu agir no mundo. Vivemos em um planeta que nos garante toda a condição de vida e nos proporciona bens renováveis que podemos usufruir, basta que mantenhamos o ciclo e isso está na altura de nossas ações. O que acontece, e que ainda não tomamos ciência, apesar da obviedade que se demonstram a cada momento e em todas as coisas, é que evoluímos (involuímos) em um ritmo contra a lógica de produção da natureza, ao fazermos isso vários elos de coesão são rompidos (no exemplo das abelhas o elo que ela desempenha na natureza está inteiramente ligado com uma cadeia de relações, conforme demonstrado). E sabe-se lá até quando toda a estrutura se manterá nessa ânsia por querer avançar e tudo o que se encontra pela frente é encarado como obstáculo (muitos desses obstáculos sustentam uma estrutura lógica) e eliminado sem qualquer reflexão.
Há, porém, uma proposta de se evoluir respeitando esses ciclos naturais, o que se conveio à ciência chamar de desenvolvimento sustentável, trata-se de respeitar o ciclo natural e trabalhar na produção de bens em consonância com o ritmo em que a natureza é capaz de suportar e ainda se esforçando em contribuir para uma melhoria dessa condição (enfocando na situação desenvolvida: lançar mão dos agrotóxicos ou usar aqueles que não sejam nocivos a essa espécie, plantação de culturas cultivadas pelas abelhas, tais como jardins, etc). Somos seres racionais e estamos num mundo que é o único onde há condições de vida, então devemos agir como gestores desse meio ambiente, pois é a nossa casa, a única (até onde se sabe).
Leitura e Vídeo complementares (dão fundamentação ao artigo e o inspiraram):
*Artigo: A Phýsis para os Estóicos, autor Andityas Soares de Moura Costa Matos, CLIQUE AQUI.
Vídeo: Abelhas são essenciais para a produção de frutos, CLIQUE AQUI.